A megaigreja pentecostal australiana Hillsong expandiu-se globalmente por meio de um estilo de cristianismo descolado que abrange a música pop, as mídias digitais, o espetáculo, branding e a cultura das celebridades. A antropóloga Cristina Rocha acompanha jovens brasileiros desde o início de seu fandom na Hillsong até sua viagem para a Austrália para participarem da igreja e estudarem em seu seminário, e em seu retorno ao Brasil. Ela argumenta que os jovens brasileiros de classe média adotam a Hillsong em busca de cosmopolitismo e para se distinguir do pentecostalismo dos pobres brasileiros. Apesar dos recentes escândalos da Hillsong, a megaigreja lhes oferece uma geografia alternativa de pertencimento, onde os pastores falam inglês e o cristianismo se trata de amor, ética, racionalidade, autonomia e relações mais igualitárias entre congregantes e pastores. Rocha apresenta um argumento sólido sobre a importância do local nos estudos de globalização e os papéis fundamentais da classe social, do afeto e da estética para a compreensão da formação de subjetividades e comunidades religiosas.