Nota de pesar pelo assassinato do professor José Acioli da Silva Filho e de repúdio à homofobia e crimes de ódio

A Associação Brasileira de Antropologia, por meio da sua Comissão de Direitos Humanos, do Comitê de Antropologia e Saúde e do Comitê Gênero e Sexualidade, manifesta seu pesar diante do brutal assassinato de José Acioli da Silva Filho, professor do Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes (ICHCA), da Universidade Federal de Alagoas – UFAL. O crime ocorreu no dia 16 de setembro de 2021, em sua própria residência, no bairro do Jaraguá em Maceió-Alagoas. De igual forma, expressamos nossa solidariedade com familiares, colegas, estudantes e ex-estudantes, amigas/es/os e toda a comunidade universitária da UFAL.

Não obstante, importa frisar que crimes de ódio, mesmo quando cometido contra um sujeito, têm origem na identificação de características que ligam a vítima a um grupo, evidenciando que seu objetivo é também atingir uma coletividade. Seus efeitos, igualmente, ultrapassam as ocorrências específicas, prolongando-se no sentimento de insegurança e medo experimentado por demais membros do segmento alvo de ódio. Para que a reparação possa agir de forma a proteger a dignidade dessa vítima, assim como impedir que outras tenham suas vidas violadas por meio desses tipos de violências.

É urgente, portanto, que a LGBTfobia seja identificada como motivação de crimes de ódio e que Universidade e associações civis sejam espaços de afirmação da diversidade e do respeito a todas as formas de expressão do gênero e de sexualidade em face desse crime. Também é fundamental o reconhecimento do dano perpetrado a toda a comunidade para que a consideração dessas existências como dignas se dê em vida e morte.

Somamos-nos às entidades da sociedade civil que exigem a investigação da motivação homofóbica do assassinato contra o professor José Acioli da Silva Filho. Repudiamos todas as formas de preconceito, como as que circundam esse crime, que operam contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas não binárias, negando suas expressões de gênero e de sexualidades.

Brasília, 28 de setembro de 2021.

Associação Brasileira de Antropologia (ABA); sua Comissão de Direitos Humanos; seu Comitê de Antropologia e Saúde; e seu Comitê Gênero e Sexualidade

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