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Informativo nº 13/2019 | 02/08/2019

 
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Informativo nº 13/2019 | 02/08/2019
ABA na luta pela cidadania
destaques da ABA
Nota do Comitê de Migrações e Deslocamentos da Associação Brasileira de Antropologia sobre a Portaria no.666/2019 do Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro

Em maio de 2017, após 37 anos, a sociedade brasileira conseguiu finalmente aprovar uma nova Lei de Migração (Lei 13.445/17), superando o texto do Estatuto do Estrangeiro (Lei 6.815/80), normativa produzida no período militar, marcada pela suspeição do estrangeiro e pela defesa da “segurança nacional”.

O Comitê Migrações e Deslocamentos da Associação Brasileira de Antropologia vem, de longa data, participando do debate e monitorando a implementação da nova legislação e zelando por sua consonância com a constituição brasileira.

Resultado desse trabalho, conseguimos aprovar, num contexto de sucessivas negociações, uma lei migratória moderna, baseada, na medida do possível, na defesa de direitos e da mobilidade humana.

Entretanto, no dia 10 de julho de 2019, constatamos, com imensa preocupação, uma proposta de emenda, incorporada ao Projeto de Lei

1928/2019 do Senado Federal, através da qual o Ministro da Justiça e da Segurança Pública Sérgio Moro propunha incluir na nova Lei de Migração quatro novos artigos que, de modo separado e em seu conjunto, ferem os princípios que nortearam o debate da lei migratória atual e reinscrevem a intenção de ampliar o controle migratório, observando a imigração sob a ótica da criminalização das pessoas em mobilidade

A Portaria no 666, de 25 de julho de 2019, publicada hoje no Diário

Oficial da União, assinada pelo mesmo Ministro Sérgio Moro, e que dispõe “sobre o impedimento de ingresso, a repatriação e a deportação sumária de pessoa perigosa ou que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição”, confirma não serem infundados os temores do Comitê.

Além de restaurar, atualizar e até extrapolar o malfadado Estatuto do Estrangeiro, da época da ditadura, a Portaria 666 – ao evocar as “novas ameaças” estabelecidas pela comunidade internacional, como o narcotráfico, o terrorismo, o tráfico de pessoas e de ilícitos e até a pornografia ou exploração sexual infanto/juvenil –  trata a priori migrantes como pessoas perigosas e suspeitas de praticar atos que contrariam a Constituição Nacional, sujeitas à deportação em função do enquadramento seja na lei antiterrorista (no. 12.360/2016), ou naquela referente ao crime organizado (lei no. 12.850/2013).

Dessa forma, extingue o foco em direitos humanos que era o cerne da Nova Lei de Migração. Fere também a Constituição de 1988, cujo artigo V explicita que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Fere ainda as bases de diversos acordos supranacionais dos quais o Brasil é signatário e que defendem a não criminalização da pessoa migrante e sua acolhida, buscando impedir qualquer tipo de detenção por motivos migratórios.

Por representar um atentado ao Estado Democrático, repudiamos veementemente a portaria 666/2019 e, por essa razão, clamamos por proteção internacional aos migrantes no e do Brasil.

Brasília, 26 de julho de 2019

Associação Brasileira de Antropologia – ABA e seu Comitê de Migrações e Deslocamentos

Leia aqui a nota em português.
Leia aqui a nota em espanhol.
Leia aqui a nota em inglês.

Nota do Comitê de Antropólogas/os Negras/os em defesa da autonomia universitária e das ações afirmativas no ensino superior

Nós membros do Comitê de Antropólogas/os Negras/os filiado à ABA – Associação Brasileira de Antropologia expressamos nosso compromisso e posicionamento em defesa da autonomia universitária e das ações afirmativas no ensino superior. Nossa postura baseia-se no aporte legal do Estado democrático de direito, a partir da Constituição Federal, a constituição cidadã de 1988, em seu artigo 205 que assim diz: “a educação, direito de todos e dever do Estado”. Cabe lembrar também a decisão, ainda vigente, do Supremo Tribunal Federal em 2012 que reconheceu a constitucionalidade das ações afirmativas e do sistema de cotas raciais nas universidades públicas brasileiras. Sob o manto da constitucionalidade também se encontra a autonomia didático-científica universitária garantida pelo artigo 207 da Constituição Federal.

Somado ao aporte legal trazemos o legado constituído pelas diversas universidades brasileiras que instituíram em seus programas de pós-graduação (mestrado e doutorado) o ingresso discente por ações afirmativas. Entre os anos de 2002-2017, segundo estudo do GEMMA – Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ação Afirmativa – IESP-UERJ nós temos o seguinte quadro:  61,22% das políticas afirmativas são decididas no âmbito dos programas de pós-graduação; 73,47% adotaram o sistema de cotas; Pretos e pardos somam 52,63% do público beneficiado. Na esteira desse processo, temos entre 2003-2014 a criação de 18 universidades federais, 173 campus universitários e mais de 360 novos institutos federais. E, agora, 69 anos depois da criação da ABA, emerge da luta antirracista, do compromisso com a educação e com uma antropologia que se proponha a discutir, por exemplo, “corpos e campos racializados, a partir de uma perspectiva negra” o nosso Comitê de Antropólogas/os Negras/os.

Por conta desse legado, repudiamos ações políticas de ataque à autonomia universitária e as ações afirmativas, tal como evidenciado no contingenciamento de recursos financeiros das universidades federais, que significam de fato cortes que afetam o funcionamento das universidades públicas e, obviamente o ensino, pesquisa e extensão. Outro ataque desvela-se no Programa de Autonomia Financeira do Ensino Superior, o “Future-se”.  Perguntamos que futuro existe com a fragilização do acesso e permanência à educação pública, gratuita e de qualidade? Que futuro existe para a parcela significativa de estudantes cotistas que pintaram a universidade com a cara do povo brasileiro? Que futuro existirá para o país?

Essas são questões que permeiam o fazer antropológico engajado teórica e politicamente com a realidade social. Somos antropólogas/os. Somos Negras/os. Somos egressos dos debates e embates sobre construção de direitos de sujeitos e grupos marginalizados e por conta disso não somos omissos ou coniventes com as práticas anti-democráticas e perversas oriundas do discurso de ódio, anti-intelectual e racista que sustenta tais práticas.

Ressaltamos ainda que nossas práticas se pautarão cada vez mais pela garantia e manutenção da autonomia universitária e das ações afirmativas. Esse será o nosso legado para a antropologia e as gerações futuras de antropólogas/os.

Brasília/DF 30 de julho de 2019

Associação Brasileira de Antropologia e seu Comitê de Antropólogas/os Negras/os

Leia aqui a nota em PDF.

BASTA! Nota da ABA e sua Comissão de Assuntos Indígenas sobre o assassinato de uma liderança do povo indígena Wajãpi do Amapá por garimpeiros e a escalada de violência contra povos indígenas no Brasil

É com muita apreensão e profunda indignação que a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) recebeu a informação de que uma liderança do povo indígena Wajãpi do Amapá foi assassinada por um grupo de garimpeiros no último dia 22/07 nas imediações de sua própria aldeia, portanto, dentro da Terra Indígena Wajãpi.  Nesse momento, dia 28/07, domingo à tarde, acionada pela FUNAI e pelos Wajãpi, a Polícia Federal entrou na terra indígena visando prender os garimpeiros que se encontram, segundo os Wajãpi, refugiados em locais de difícil acesso. Remetemos os leitores e leitoras deste comunicado à Nota de Esclarecimento escrita e publicada pelo Conselho das Aldeias Wajãpi – Apina – no dia de hoje (https://www.facebook.com/apina.conselho/), a qual esclarece a cronologia dos acontecimentos e do crime e informa a situação de tensão pela qual está passando aquela população indígena neste momento.

Assistimos estarrecidos a mais esta violação de direitos no território wajãpi, mas não esqueçamos de que esta é uma ameaça em outras terras indígenas, que revivem hoje o pesadelo da invasão de seus territórios por garimpeiros. É preciso enfatizar que a ABA, via sua Comissão de Assuntos Indígenas (CAI), bem como inúmeras organizações indígenas e indigenistas, vêm alertando há alguns meses a opinião pública de maneira geral e, em particular, o Governo Federal (responsável direto pela segurança da população indígena situada em território nacional), sobre a evidente escalada de ameaças e violências cometidas cotidianamente contra esses povos nos mais diversos cantos deste país. A ABA tem plena ciência de que a questão indígena no Brasil é assunto complexo e multifacetado, o que implica, portanto, no reconhecimento prévio de que certamente há diversos fatores envolvidos nos inúmeros atos de violência praticados contra povos indígenas somente neste ano de 2019. Entretanto, não há como dissociar a escalada desta violência das declarações de membros do atual Governo Federal, em particular, do próprio Presidente da República, que de maneira inadequada e infeliz, muitas vezes em tom de ironia e sarcasmo, insiste em desqualificar tanto os povos indígenas quanto aqueles e aquelas que com eles trabalham e defendem seus direitos. Resulta evidente que este tipo de narrativa preconceituosa e inapropriada de autoridades governamentais tem sido combustível eficaz para a execução de ações criminosas contra tais povos e seus territórios, por parte de segmentos da sociedade brasileira que, na expressão certeira do ex-presidente da FUNAI, general Franklimberg Ribeiro de Freitas, “salivam ódio aos indígenas”.

A Associação Brasileira de Antropologia, portanto, exige a rigorosa apuração do crime cometido contra a liderança indígena wajãpi e a prisão exemplar dos assassinos. Acima de tudo, a violação de direitos humanos que tal ato comporta, demanda urgência e clareza na ação do Estado Brasileiro, antes que tragédias como estas voltem a se repetir. Mas, com a mesma veemência, a ABA exige também um BASTA às declarações desqualificantes e, por diversas vezes, caluniosas de autoridades governamentais para com os povos indígenas e todos aqueles e aquelas não alinhados com seus próprios interesses e visão de mundo.

Brasília, 28 de julho de 2019.

Associação Brasileira de Antropologia – ABA e sua Comissão de Assuntos Indígenas

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Leia aqui a nota em espanhol.
Leia aqui a nota em inglês.

Contra o desmanche ambiental e a violência decorrente

NOTA DO COMITÊ POVOS TRADICIONAIS, MEIO AMBIENTE E  GRANDES PROJETOS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA (ABA)

O Comitê Povos Tradicionais, Meio Ambiente e Grandes Projetos da Associação Brasileira de Antropologia vem a público manifestar repúdio às ações e declarações de representantes do governo brasileiro que conduzem ao assombroso desmanche do sistema de regulação ambiental do país.

Instrumentos de proteção dos direitos dos povos tradicionais, do patrimônio ambiental e da diversidade cultural brasileira encontram-se sob acintoso e recrudescente ataque. A designada flexibilização ambiental configura um verdadeiro desmonte das instituições, normas e dispositivos de governança que representam conquistas resultantes de décadas de organização e mobilização da sociedade brasileira. As ofensivas contra os princípios constitucionais nos alça a uma condição de “crise do Estado Democrático de Direito”, vis-à-vis à defesa do meio ambiente como um direito coletivo dos cidadãos brasileiros.

As mudanças, feitas sem alarde, são acompanhadas por um discurso ideológico que criminaliza as práticas de proteção ambiental e as formas de ocupação tradicional de territórios, sob a alegação de que empatam o aproveitamento das riquezas nacionais. Tal ideologia condena o Brasil à condição de mero produtor de commodities agrícolas e minerárias, verdadeira posição subordinada no jogo político-econômico internacional.

A rendição a esse modelo econômico neocolonial evidencia uma estratégia com viés obscurantista de constantes ataques e censuras às instituições produtoras de conhecimento, incluindo as universidades e os institutos de pesquisa como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE. 

Soma-se a isso, o recrudescimento do controle e da restrição aos espaços de participação social que, mediante a extinção ou redução e esvaziamento de conselhos e órgãos colegiados da administração pública federal, coloca em risco preceitos constitucionais. O Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, por exemplo, teve sua composição drasticamente reduzida de 96 para 23 membros, o que acarretará no esvaziamento de suas funções na avaliação da implementação e execução da política e das normas ambientais do País.

No mesmo diapasão, governantes se pronunciam acerca da “eliminação do ativismo” e designam autarquias ambientais, tais como IBAMA e ICMbio como “fábricas de multa” entre outras espantosas acusações que fomentam um ambiente de desrespeito às leis ambientais vigentes, implicando na redução da fiscalização ambiental, na intensificação do desmatamento, sobretudo na Amazônia brasileira, no aumento de invasões às terras de povos tradicionais e no acirramento de conflitos armados.

Dentre as graves mudanças, destacam-se os esforços para a construção de uma nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental através da tramitação de Projetos de Lei do Senado, a pretexto de “desburocratizar o processo de concessão de licenças”. Com efeito, o que se tem é um processo de fragilização do marco regulatório, apontando a substituição dos instrumentos de controle do Estado por práticas corporativas de autolicenciamento, automonitoramento e gestão ambiental voluntárias.

O desmonte se radicaliza através da inobservância ou desrespeito ao marco regulatório, de que são exemplos processos de licenciamento em curso, cujas obras estão em andamento mesmo sem a promoção de audiência pública e consulta prévia, livre e informada às comunidades tradicionais afetadas, preceitos da Convenção 169 da OIT, da qual o Brasil é signatário.

Acompanhamos estarrecidos as denúncias diárias de violência armada contra indígenas, como o recente caso envolvendo a morte violenta de Emyra Waiãpi, um líder da etnia waiãpi, e as invasões de garimpeiros, em meio a declarações sobre a pretensão do governo de legalizar mineração e garimpos, bem como barragens hidrelétricas e sistemas de transmissão em terras indígenas. 

Esforços de revisão regulatória são expressivos no tocante às atividades extrativas, visando fomentar a expansão das atividades de mineração no país. O quadro é também alarmante no que diz respeito ao Plano Nacional de Segurança de Barragens. Mesmo após os rompimentos das barragens de Fundão em Mariana e da Barragem B1 da Mina Córrego do Feijão em Brumadinho, as iniciativas para o controle e a fiscalização dessas estruturas mostram-se bastante limitadas e omitem procedimentos relativos às comunidades locais.

São particularmente preocupantes as declarações sobre a abertura da Amazônia, das Unidades de Conservação e das Terras Indígenas para exploração econômica, sobretudo a mineração. E acendem sinal de alerta sobre violações explícitas à Constituição. Não por acaso, os dados recentes que revelam o aumento do desmatamento na Amazônia divulgados pelo INPE, alarmantes, são acintosamente questionados.

O desmatamento desenfreado poderá ser enormemente agravado pelas recentes propostas de mudanças no Código Florestal, em tramitação no Senado, no que concerne à revisão da situação das reservas legais em propriedades rurais. Simultaneamente, o Ministério da Agricultura liberou número recorde de agrotóxicos em curto espaço de tempo, muitos dos quais proibidos em vários países do mundo, submetendo a população brasileira a riscos cada vez mais elevados quanto à saúde.

Tudo isso mostra uma violência que se apresenta sem disfarces e ousa formular uma política explícita de destruição das florestas e dos povos que as habitam. Os discursos que versam sobre a liberação do porte de armas no Brasil também têm sido evocados em nome da defesa da propriedade privada, desconsiderando mais uma vez os princípios constitucionais que asseguram a defesa da vida acima de qualquer outro direito.

Diante desse quadro, o Comitê Povos Tradicionais, Meio Ambiente e Grandes Projetos externa seu repúdio às iniciativas mencionadas e manifesta sua profunda preocupação quanto ao futuro dos povos tradicionais, das vindouras gerações de brasileiras e brasileiros e à integridade dos preceitos constitucionais, cuja flagrante deterioração revela a profundidade da crise atual de nosso Estado Democrático de Direito.

Brasília, 01 de agosto de 2019.

Associação Brasileira de Antropologia e seu Comitê Povos Tradicionais, Meio Ambiente e Grandes Projetos


Leia aqui o artigo que deu origem a nota.
Leia aqui a nota em português.
Leia aqui a nota em inglês.

Comitê Quilombos repudia os atos de violência de que têm sido vítimas as famílias da Comunidade Quilombola de Quingoma

O Comitê Quilombos repudia os atos de violência de que têm sido vítimas as famílias da Comunidade Quilombola de Quingoma, localizada em Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador, estado da Bahia.  A coletividade, composta por aproximadamente 580 famílias, foi certificada pela Fundação Cultural Palmares em 2013, já possui relatório antropológico e demanda territorial configurada perante o INCRA, mas sofre os danos e prejuízos decorrentes da construção da Via Metropolitana (que liga a rodovia Cia Aeroporto – BA 526 – a Estrada do Coco – BA-099). Em função das obras da rodovia várias famílias foram removidas compulsoriamente, casas foram invadidas por intrusos que ameaçaram os seus moradores para deixarem a área e,mais recentemente, no dia 14 de julho, algumas residências foram incendiadas e mais pessoas foram ameaçadas por invasores armados. A morosidade no processo de regularização territorial, associada a ausência de informações e apoio das instituições competentes,bem como a falta de garantia de participação nas discussões que dizem respeito ao território da comunidade, no âmbito municipal e estadual, constituem outros obstáculos e ameaças a efetivação dos direitos constitucionais do grupo.

Comitê Quilombos da Associação Brasileira de Antropologia

Leia aqui a nota em PDF.

ABA assina a carta Nacional de apoio da sociedade civil à Defensoria Pública da União pelamanutenção das 43 unidades ameaçadas de fechamento no país

ABA assina a carta Nacional de apoio da sociedade civil à Defensoria Pública da União pela manutenção das 43 unidades ameaçadas de fechamento no país
Vibrant

Confira o último número da Vibrant:

v.15 n.3 – 09-12/2018: Gramáticas de la (¿post?) violencia: identidades, guerras, cuerpos y fronteras – http://www.vibrant.org.br/lastest-issue-v-15-n-3-09-122018/.

in memoriam
Falecimento de Simoni Lahud Guedes (18/07/2019)

Adeus Simoni Lahud Guedes

Escrito por Claúdio Salles
InEAC – Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos
Universidade Federal Fluminense – UFF

 
Com muita tristeza que noticiamos o falecimento, na manhã de quinta-feira, 18 de julho de 2019, da antropóloga e querida professora Simoni Lahud Guedes, também membro do Comitê Gestor do INCT/INEAC.
 
Segue o link com a participação da professora Simoni Guedes no seminário de 25 anos do PPGA : https://youtu.be/40NiqUJZGoQ
 
Simoni Lahud Guedes fez Bacharelado (1971) e Licenciatura (1973) em Ciências Sociais na Universidade Federal Fluminense, Mestrado (1977) e Doutorado (1992) em Antropologia Social pelo Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora Titular do Departamento de Antropologia da Universidade Federal Fluminense, foi coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia. Membro da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), já tendo coordenado a Comissão de Ensino e Ofício desta associação. Professora e pesquisadora na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia do Esporte e Cultura de Trabalhadores, atuando principalmente nos seguintes temas: trabalhadores urbanos, futebol brasileiro, categorias etárias. Membro gestor e pesquisadora , do INEAC-INCT, tendo coordenado convênios CAPES-SPU (Argentina) e pesquisas. Pesquisadora do CNPq desde 1996, atualmente nível 1 B. Co-lider do Grupo de Pesquisa Transmissão de Patrimônios Culturais, certificado pelo CNPq. Membro do Grupo de Trabalho CLACSO Deporte, sociedad y políticas públicas.


Vá em paz, Simoni

Escrito por Jane A. Russo
Professora Titular do Instituto de Medicina Social – IMS
Pesquisadora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos – CLAM
Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ

Conheci Simoni Lahud Guedes quando, ambas ainda jovens, éramos professoras do curso de graduação em psicologia da Universidade Santa Úrsula, no início dos anos 1980. Simoni lecionava a disciplina “Psicologia e Antropologia”, e havia feito seu mestrado no Museu Nacional/UFRJ. Para mim ela era um modelo a ser seguido, pois eu já cobiçava abandonar o campo da psicologia pela antropologia. Depois que ela deixou a USU para iniciar sua carreira na UFF eu segui seus passos, passei a lecionar “Psicologia e Antropologia” e fui fazer meu doutorado no Museu. Segui encontrando-a nos congressos de que participávamos, em especial em GTs da Anpocs, quando sua área de interesse inclinava-se para as pesquisas em torno das perturbações do corpo que costumamos classificar como doenças. Sua paixão pelo futebol a aproximava do universo masculino e dos estudos acerca do homem trabalhador, e certamente Simoni deve ser vista e estudada como uma das primeiras pesquisadoras brasileiras a tratar de um tema tão caro aos estudos de gênero: as masculinidades em sua intercessão com classe social.
Minhas lembranças de Simoni são de uma pessoa muito divertida: com ela troquei muitas boutades e gargalhadas durante os seminários de que participávamos. O que não impedia sua seriedade como pesquisadora e professora, sempre muito rigorosa e, sobretudo, enérgica em seus comentários e análises.
Nos últimos anos Simoni estava frágil do ponto de vista de sua saúde física, como todos sabemos, o que afetava pouco sua dedicação ao trabalho e seu vigor intelectual. No último evento de que participamos juntas, uma banca de qualificação de doutorado, tivemos que mudar o horário da banca porque Simoni queria ver Messi jogar no Maracanã. Nenhum membro da banca discutiu a importância de sua solicitação. Todos conhecíamos a paixão antiga de Simoni por futebol. E a banca foi realizada na semana seguinte. Simoni lá estava com seu vozeirão, sua incisão, sua energia, sua precisão analítica. Pensávamos que ainda contaríamos por muito tempo com seu senso de humor, sua vivacidade e seu entusiasmo acadêmico. A vida não quis assim.
Vá em paz, Simoni, cuidaremos para que a chama que animava suas atividades na universidade pública não se apague. Lutaremos para que nosso trabalho volte a ser valorizado e compreendido, e para que, como você pede no resumo do seu Currículo Lattes, o país retorne à normalidade democrática. Sabemos o quão a democracia é necessária para que possamos, no nosso trabalho cotidiano, contribuir para a construção de um país justo e igualitário.

Falecimento de Custódia Selma Sena (31/07/2019)

A ABA comunica, com profundo pesar, o falecimento da professora Custódia Selma Sena. Tendo nascido em Caratinga (MG), Selma tomou-se em Antropologia Social pela UnB, tendo sido orientada por Mireya Suarez e José Jorge de Carvalho. Ingressou no antigo ICHL da UFG, em 1989.
Selma contribuiu sobremaneira para com a formação de muitas gerações de cientistas sociais, especificamente antropólogos. Foi uma das fundadoras do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFG e coautora da curadoria da exposição permanente do Museu Antropológico, “Lavras e Louvores”, que instiga uma reflexão densa sobre a noção de sertão e sua importância na identidade regional e nacional.
A ABA se solidariza com familiares, colegas e amigos.


Nota de Pesar

Escrita por Manuel Lima Filho
Professor Associado II
Diretor do Museu Antropológico
Universidade Federal de Goiás – UFG

A Direção do Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás comunica com pesar o falecimento nesta madrugada da professora, antropóloga, Custódia Selma Sena. A professora Selma Sena é co-autora da curadoria da exposição permanente do MA, Lavras e Louvores, que instiga uma reflexão densa sobre a noção de sertão e sua importância na nossa identidade regional e brasileira. Ela foi idealizadora e articuladora da instituição do PPGAS na UFG tendo sido sua primeira coordenadora e que teve sua primeira sede no MA. Expressamos a nossa solidariedade aos filhos, família e amigos. A antropologia e a UFG perdem uma notável pensadora.

eventos
Eventos no Brasil
XI ELESI – Encontro sobre Leitura e Escrita em Sociedades Indígenas

Data: 9 a 13 de setembro de 2019
Local: UNICAMP
Informações: http://www.elesi-kamuri.org/

oportunidades
Concursos e Seleções
Processo Seletivo Simplificado para professor visitante – Antropologia Social na UFPR

A PROGESP divulga Edital de Abertura de Processo Seletivo Simplificado para professor visitante no Programa de Pós Graduação em Antropologia Social (PPGANTS) da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Inscrições: até 09 de agosto de 2019. Informações: Edital.

Pós-graduação
Mestrado e Doutorado na UFBA

O Programa de Pós-Graduação em Antropologia, da Universidade Federal da Bahia – UFBA, abre inscrições para o processo seletivo de candidatos(as) aos cursos de Mestrado e Doutorado, para o ano letivo 2020. Inscrições: 05 de agosto e 04 de setembro de 2019. Informações: Edital.

publicações
Chamada para artigos
Revista Tessituras

A revista Tessituras, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pelotas, através do presente edital, convida os/as interessados/as a apresentar proposta de dossiê para publicação nas próximas duas edições da revista (v. 8, n. 1, jan./jun. 2020; v. 8, n. 2, jul./dez. 2020) de acordo com a linha editorial vigente, os critérios estabelecidos pelo Qualis/CAPES. Data limite de submissão de propostas: 09 de setembro de 2019. Informações: Edital de Seleção de dossiês – 2020.

Pós – Revista Brasiliense de Pós-Graduação em Ciências Sociais

Pós – Revista Brasiliense de Pós-Graduação em Ciências Sociais, periódico eletrônico, com periodicidade semestral, destinado a divulgar e a ampliar, para estudantes, pesquisadoras e pesquisadores em geral, o campo de circulação e o debate de pesquisas no âmbito das Ciências Sociais, divulga chamada para submissão de artigos. Informações: http://periodicos.unb.br/index.php/revistapos/about/submissions.

Vivência: Revista de Antropologia

A Vivência: Revista de Antropologia informa que o prazo para envio de artigos destinados ao dossiê “PATRIMÔNIO AFRO-RELIGIOSO: ACERVOS, PRESERVAÇÃO E FONTE DE CONHECIMENTO” foi prorrogado para o dia 18 de agosto de 2019. Informações: https://periodicos.ufrn.br/vivencia/.

Revista Discente Planície Científica

A Revista Discente Planície Científica, vinculada ao curso de Ciências Sociais do Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional da Universidade Federal Fluminense em Campos dos Goytacazes, torna público, por meio deste edital, a abertura do período de submissões de trabalhos à segunda edição da revista, com previsão de publicação para o segundo semestre (julho-dezembro) de 2019, ainda que a Revista também receba trabalhos em fluxo contínuo. Informações: http://periodicos.uff.br/planiciecientifica/announcement/view/187.

Revistas – Novos números

Pós – Revista Brasiliense de Pós-Graduação em Ciências Sociais – Volume 14, nº 1 – http://periodicos.unb.br/index.php/revistapos/issue/view/1780.

Revista Iluminuras – Publicação Eletrônica do Banco de Imagens e Efeitos Visuais – NUPECS/LAS/PPGAS/IFCH/UFRGS – v. 20, n. 50 (2019) – https://seer.ufrgs.br/iluminuras/.

Lançamentos – Livros ABA
Políticas Etnográficas no Campo da Moral

Organizadores:
Jean Segata
Theophilos Rifiotis

Clique aqui para visualizar em PDF

Lançamentos – Livros 2019

FILHO ,Manuel Lima; PORTO, Nuno (orgs.) (2019), Coleções étnicas e museologia compartilhada. Goiânia: Editora da Imprensa Universitária.

MARTINI, Andréa (autora) (2019), Tecendo Limites no Alto Rio Juruá. Curitiba/PR: Editora Brazil Publishing.

CHAGAS, Mario; MACRI, Marcus (org.) (2019). A função educacional dos museus: 60 anos do Seminário Regional da UNESCO.  Rio de Janeiro: Museu da República.

notícias da mídia/outras
Moção apresentada na XIII Reunião de Antropologia do Mercosul – RAM pela garantia e manutenção das Ações afirmativas para os Povos Indígenas nas IFES

Catálogos Latinoamericanos de Tesis en Antropología Social

Colabore com o renascimento do Museu Nacional

Doe para a reconstrução da Biblioteca de Antropologia Social
Contribute to the rebirth of the National Museum
Donate to rebuilding the Library of Social Anthropology

https://benfeitoria.com/livrosvivosnomuseu

Levantamento das teses e dissertações defendidas nos Programas de Pós-Graduação em Antropologia brasileiros entre 2000 e 2017

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Associação Brasileira de Antropologia
Antropologia Brasileira: saberes e diálogos na defesa de direitos e diferenças (2019-2020)


Presidente: Maria Filomena Gregori (UNICAMP)
Vice-Presidente: Sérgio Luís Carrara (UERJ)
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Diretoras:
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Patrice Schuch (UFRGS)
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Informativo ABA
Edição: Carine Lemos
Diagramação: Roberto Pinheiro

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