Comitê Antropologia Visual

Nota CAV – Cinemateca Brasileira – Julho 2021

A Associação Brasileira de Antropologia, por meio de seu Comitê de Antropologia Visual, manifesta seu pesar diante do incêndio que, no dia 29 de julho, atingiu a Cinemateca Brasileira. Localizada na capital paulistana, no bairro de Vila Leopoldina, a instituição é detentora de arquivo audiovisual e textual de valor incalculável para a memória do cinema brasileiro.

Sua história é também memorável. Ainda que tenha sido oficialmente instituída apenas em 1956, a Cinemateca tem como embrião o Primeiro Clube de Cinema de São Paulo, fundado nesta capital, em 1941. Seus articuladores englobam importantes figuras do pensamento social brasileiro como o historiador e ensaísta Paulo Emílio Sales Gomes, o cientista social e crítico teatral Décio de Almeida Prado e o sociólogo e crítico literário Antonio Candido de Mello e Souza, dentre outros, cujos objetivos eram refletir sobre o cinema e questões político-sociais latentes por meio de projeções, conferências, debates e publicações.

Como a história mais ampla da Cinemateca Brasileira deixa claro, as artes em geral e o cinema em particular são elementos decisivos de constituição de uma sociedade democrática e plural. É através de suas artes que um povo não apenas expressa seus valores, mas os constrói e transforma de forma que o próprio acervo queimado da instituição é uma parte de Brasil perdido.

O fato de enlutarmos este que é o quinto incêndio na instituição, apenas demonstra o descaso com que distintos governos têm tratado as artes e o conhecimento no Brasil. Mal nos recuperamos do incêndio do Museu da Língua Portuguesa, no dia 21 de dezembro de 2015. E, de forma ainda mais pungente, do dano irrecuperável à humanidade ocorrido no dia 02 de setembro de 2018 quando chamas transformaram significativa parte do Museu Nacional em cinzas.

Na Cinemateca Brasileira, há inestimáveis arquivos sobre arte e cultura no Brasil. Para ficar em alguns exemplos, lá estão as gravações de Marechal Rondon sobre as Forças Expedicionárias Brasileiras, assim como todo o acervo de Glauber Rocha, nome inescapável do cinema mundial e principal expoente do Cinema Novo brasileiro. Também são guardadas na Cinemateca importantes documentos sobre as políticas públicas no cinema brasileiro, constituindo decisivo acervo sobre nossa história cultural e política.

Ressaltamos a importância dos acervos, da própria Cinemateca e sua relação com a comunidade que trabalha com e reflete sobre o Audiovisual, na construção de futuros que contemplem a diversidade brasileira e que competem a todos/as nós.

Solidarizamo-nos com todos/as os/as funcionários/as da instituição que já sofria processo de precarização e se encontrava fechada desde agosto de 2020. Em manifesto lançado no mês posterior, dia 12 de abril, referidos/as funcionários/as já haviam alertado publicamente sobre a possibilidade de que outro incêndio incidisse sobre a Cinemateca, além de outras questões pertinentes de serem observadas e reivindicadas.

Fazemos eco às suas preocupações e nos somamos a outras entidades no pedido de investigação sobre o ocorrido, de maneira que nosso patrimônio artístico e cultural brasileiro não siga sendo depreciado e destruído. O Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) já havia aberto processo contra a União quando da enchente que, no ano passado, alagou as dependências da instituição, ameaçando novamente seu acervo. Rogamos às instituições cabíveis que apurem o ocorrido e possam dar prosseguimento a seu incansável trabalho na atenção e na defesa dos interesses difusos e coletivos da sociedade brasileira.

Brasília, 03 de agosto de 2021. 

Associação Brasileira de Antropologia – ABA e seu Comitê de Antropologia Visual – CAV

Leia aqui a nota em PDF.


Relatório de atividades Comitê Antropologia Visual / Gestão 2019-2020

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Relatório de atividades Comitê Antropologia Visual / Gestão 2017-2018

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TV ABA Edital (n.01/2015), objetiva a “Disponibilização online de conteúdo videográfico e transmissão online de eventos ao vivo via TV ABA”

Clique aqui para ler o edital.
Anexo 01 – Clique aqui para preencher a Declaração de direito autoral e autorização de utilização de obra videográfica.


Relatórios de atividades do Comitê de Antropologia Visual – Gestão 2013-2014

Leia mais – Jan/15


Festival do Filme Etnográfico do Recife

O V Festival do Filme Etnográfico do Recife durante os dias 28 a 31 de outubro exibiu cerca de 42 filmes em 4 mostras paralelas e 1 mostra competitiva promovido pelo Programa de Pós-graduacão em Antropologia e realizado pelo Laboratório de Antropologia Visual da UFPE.Durante esses dias aconteceram, cursos, oficinas e fórum de debates sobre o filme etnográfico. Diferentemente de outros anos, o festival desenvolveu um projeto de intercâmbio entre realizadores indígenas, especificamente entre  Curtis Taylor, do povo Martu do deserto ocidental da Austrália e Alexandre, do povo Pankararu do sertão pernambucano. Uma experiência que mereceu um debate com especialistas que atuam com a mídia nativa. O festival premiou os filme “Palavras-Almas”, de Gloria Scappini, do Paraguai, como melhor filme etnográfico, Por dar voz e revelar a dignidade das palavras dos Mbya-Guarani do Paraguai e por realizar um filme que claramente exprime a profundidade de uma pesquisa etnográfica e relação com as pessoas.”Fuera de Foco” dos realizadores Adrián Arce y Antonio Zirión do México, por sua forte estrutura narrativa e relação com os protagonistas e pelas escolhas estéticas e soluções criativas utilizadas para filmar o contexto institucional de uma prisão juvenil. O filme Xilunguine, A Terra Prometida, Moçambique, Inadelso Cossa recebeu a menção especial do júri, pela utilização das imagens que descrevem a migração rural-urbano de uma perspectiva histórica revelando como as pessoas lidam com as dinâmicas identitárias. O filme “O Elefante Branco – Resistência Indígena a Transposição do Rio São Francisco” Pernambuco, dos realizadores Manuela Schillaci, Martina Feliciotti e Lorenzo Grimaldi recebeu o prêmio de melhor filme pelo júri popular. Participaram como membros da comissão julgadora: Alex Vailati, Caro Macdonald, Curtis Taylor e Jorane Casto. Visite a pagina do festival para saber mais: www.filmedorecife.com.br.


Relatórios de atividades do Comitê de Antropologia Visual

Leia mais – Jan/13
Leia aqui também a participação do Comitê na Reunião de Coordenadores de Programas de Pós-Graduação da Área de Antropologia e Arqueologia da CAPES – Maio/12


Seminário Imagem, Pesquisa e Antropologia

O Visurb – Grupo de Estudos Visuais e Urbanos da UNIFESP está organizando, com o apoio do CAV – Comitê de Antropologia Visual da ABA – Associação Brasileira de Antropologia, o  Seminário Imagem, Pesquisa e Antropologia que tem por objetivo reunir pesquisadores, grupos, núcleos e laboratórios que atuam em pesquisas na área da antropologia da imagem e do som para discutir suas práticas de pesquisa a partir de uma reflexão sobre questões teóricas, epistemológicas e éticas que envolvem o uso da imagem no âmbito da pesquisa antropológica. O evento deverá ocorrer de 04 a 08 de novembro na Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da UNIFESP. Informações e inscrições: http://visurb-unifesp.wix.com/visurb-unifesp.


Blog do GT de Antropologia Visual

Foi lançado o blog do Grupo Trabalho de Antropologia Visual da ABA (http://antropologiavisualaba.blogspot.com/) que debate a pesquisa e a produção na antropologia com imagens e sobre imagem (documentário etnográfico, fotografia, etnografia sonora, novas tecnologias) na Associação Brasileira de Antropologia (ABA). O blog possui:

  • A rede de pesquisadores em Antropologia Visual vinculados ao grupo e à ABA, através de núcleos e grupos de pesquisa nas universidades do país.
  • Informações sobre próximos eventos, prêmios e atividades do grupo
  • Histórico de atividades do grupo

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